Zombieland

Postado em Resenha em 18/10/2009 por Régis

Zombieland* * * ½
Zombieland

(Zombieland)
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick

Comparações com “Shaun of the dead” são inevitáveis. Mas confesso que achei “Zombieland” melhor. Apesar do filme de Simon Pegg ser mais engraçado e com piadas mais sutis, seu parceiro americano não deixa nada a desejar com ótimas e agéis tiradas. Mas o grande diferencial deste para com o outro filme é que em “Zombieland” a história tem sentimentos. É um filme pipoca mesmo, mas é também um filme que a seu modo meio distorcido e pervertido busca preservar ou resgatar alguns dos mais primordiais elementos do ser humano, como amizade, o valor da família (ou uma versão dela), e o famoso “um lugar que se possa chamar de lar”, mesmo que seja um Hummer amarelo.

Se tratando de um produto made in USA “Zombieland” é grandiloqüente, e isso torna tudo mais gostoso. A seqüência final do parque de diversões é ótima, e os efeitos são trabalhados de forma divertida e criativa. Pegue a matança arquitetada por Tallahassee na montanha-russa por exemplo, e me diga se aquilo não é genial? O nível de divertimento de “Zombieland” é enorme, mais ainda se comparado com as comédias cada vez mais rasas que saem dos EUA todos os anos. Enquanto os filmes do Adam Sandler e irmãos Wayans enchem a tela com todo tipo de piadas de mau gosto imagináveis, é refrescante ver gente comprometida a fazer humor de fácil digestão, sem apelar. Elogio também o roteiro por seus diálogos. Citações de filmes antigos vem as pencas, logo qualquer cinéfilo pode gozar a vontade ao conseguir decifrá-las. “Fasten your seatbelts, it’s going to be a bumpy night!”

Outro ponto que destaco no roteiro, e que também se encontra em extinção no cinema comercial de humor norte-americano, (vamos ser sinceros, nem só nos norte-americanos) é a elaboração dos personagens. Ontem mesmo vi “Watchmen” e fiquei espantado, pois pensei que roteiros tão absorvidos na função de desenvolver seus personagens nem existisse mais nos blockbusters (claro, existem excessões. “The dark knight”, algu). E o fato de ficar espantado com “Watchmen” não é um bom sinal. Afinal, não deveria ser a prioridade dos roteiros explorar os personagens, para posteriormente a ação? Bom, mas o importante é que com “Zombieland” isso acontece. E o mais admirável, os personagens nem são assim tão interessantes ou cheios de camadas. Pelo contrário, soam até propositalmente estereotipados. Apenas são bem escritos, e isso faz toda a diferença. Suas características, mesmo que meio rasas, não soam forçadas. O roteiro entrega personagens simples, humanos, bem elaborados e convincentes, isso tudo por (surpresa) ter sido escrito com dedicação.

“Zombieland” é em suma um filme divertido que não ofende a nossa inteligência, e tampouco demanda muito dela. Não tem pretensões além de entreter, e quem sabe com um pouco de sorte, passar uma mensagem. Bem estruturado, bem escrito e alçado em um bom elenco, fica a dica daquele que espero seja o sucesso deste verão (já que só estréia por aqui em Dezembro). Sem contar na participação deliciosa do Bill Murray, interpretando Bill Fucking Murray.

Por: Régis

Minha mãe gosta de mulheres

Postado em Sem categoria em 12/10/2009 por Régis

A mi madre le gustan las mujeres* * *
Minha mãe gosta de mulheres

(A mi madre le gustan las mujeres)
Direção: Daniela Féjerman e Inés París
Roteiro: Daniela Féjerman e Inés París

Foi há alguns anos atrás que Almodóvar me fez criar interesse pelo cinema espanhol. Na verdade, veio quase junto com meu interesse de verdade por cinema. Um filme da terra do gordinho sempre foi bem-vindo na minha tv. O problema é que poucos filmes conseguem igualar a mistura de drama com comédia de Almodóvar. Sendo bem sincero, nenhum conseguiu ainda. Pelos menos dos que eu vi.

A mi madre le gustan las mujeres” tem seus momentos interessantes, e vai mostrando aos poucos, e sem exageros que hoje em dia essa história de “opção sexual” não existe. Aliás, nunca existiu. A atração que a personagem Elvira desenvolve está além da questão sexual. Eliska representa para Elvira a primeira pessoa que a entende. A primeira com quem Elvira se sente bem e feliz. A primeira com quem Elvira se sente confortável o bastante para ser ela mesma, e é nesse sentido que nasce seu sentimento por Eliska. A essa altura, a coisa menos importante para Elvira é se Eliska é homem ou mulher. É um discurso que nada tem de novo e que todo mundo já está cansado de saber, mas ainda assim pertinente. O problema do filme é que se tratando de uma comédia, “A mi madre…” comete o erro crucial de não ser engraçado. Todas as tentativas de arrancarem algum riso são forçadas e desinteressantes. Fosse declaradamente um melodrama, talvez tivesse mais êxito.

A personagem da competente Watling, nossa protagonista, foi criada na pretensão de ser uma mulher interessante o suficiente para carregar o filme. Mas o problema é que ela foi tão mal escrita que quando entra na história a mesma perde o nível. É exatamente por a personagem ser tão deslocada que o filme perde as melhores chances. Watling não consegue ser engraçada, e as cenas que o roteiro cria não ajudam em nada. Suas investidas em achar alguém que a ame são aborrecidas, pois não torcemos verdadeiramente para que ela consiga isso, uma vez que ela é uma criaturinha chata e grande parte do tempo, desmiolada. Cheia de frescuras, é o que eu difiniria no pior sentido da palavra, como “mulherzinha”. Ao se descobrir apaixonado pela amante da mãe, eu achei que finalmente Elvira se tornaria alguém capaz de despertar empatia, mas a relação das duas só é salva graças ao peso de Eliska, já que Elvira novamente se mostra totalmente apagada ao público.

Fora de foco (ora investe na comédia, ora no drama, ora em coisa alguma) a história depois de uns 30 minutos fica exagerada, sem acontecimentos relevantes, ou mesmo chata. Mesmo com as boas intenções do elenco e da proposta geral, “A mi madre le gustan las mujeres” é em suma um filme que tenta ser diferente e relevante, mas deveria se reconciliar com sua condição modesta e talvez, talvez, alcançasse um resultado mais interessante.

Por: Régis

10 filmes que ficaram de fora dos 1001

Postado em Sem categoria em 07/10/2009 por Régis
"What's new pussycat?"

"What's new pussycat?"

Estou fascinado com minha mais nova aquisição. Um tijolo chamado “1001 filmes para ver antes de morrer”, que todo cinéfilo deve saber do que se trata. Uma incrível enciclopédia com nada menos que 1001 filmes, com pequenas resenhas e centenas de fotos dos mais variados longas e curtas, lançados desde o início do século XX até os dias atuais. Tem como não ter um orgasmo?

Mas falar das qualidades do livro é desnecessário, face que todos as conhecem. Então vamos ao motivo do meu post: filmes indispensáveis, infinitamente mais importantes e relevantes do que dezenas dos que foram listados e injustamente deixados de fora. Eu sei que cada um deve ter a sua particular (e justa) lista, mas aqui vou citar alguns que ao meu ver, são não só indispensáveis numa lista desse calibre, como possivelmente são os 10 melhores filmes desta década (exceto o filme do Mann).

Para além das minhas preferências, resolvi me ater apenas a filmes que se encaixam na descrição das duas apresentações do livro, deixando fora muitos filmes que eu também acharia extremamente justo figurarem ai como “Bridget Jones’s dyary”, entre outros.

Achei que a seleção dos filmes ficou muito pregada na história de ser o mais eclética possível, e por isso vários filmes desmerecidamente entratam na listagem final, simplesmente para demonstrar a diversidade da mesma, sem verdadeiramente merecerem um lugar nela. Afinal, alguém realmente acha que “Little Miss Sunshine” merecia mais que “Lost in translation”? Ou que “La môme” (vulgo La vie en rose, ou Piaf) é mais relevante que “Eternal sunshine of the spotless mind”, a obra-prima do Gondry? Ou ainda que aquela baboseira do “Apocalypto” supera em qualquer aspecto um “Dogville”, por exemplo?

A lista (não por ordem de preferência, apenas fui jogando os nomes conforme minha indignação mandava):

10. The secret life of the words
09. Hedwig and the angry inch
08. Mulholland Dr. (sério, como este ficou de fora?)
07. Closer
06. Lost in translation
05. The insider (ooooi, o clássico da nossa geração? Como muito bem observou um rapaz no meu texto.)
04. Dogville (no coments)
03. Eternal sunshine of the spotless mind
02. Chicago
01. My life without me

Segundo os textos introdutórios (ui) do livro, vários aspectos foram levados em conta na elaboração da lista, tais como filmes constantes na listagem dos melhores de críticos, recepção do público, o que o mesmo tem a oferecer ao cinema, etc. Então alguém me explica porque “Closer”, “Eternal sunshine…” e “Lost in translation”, figuras carimbadas em qualquer lista, seja da critica especializada, seja de cinéfilos na blogosfera afora, quase sempre colocados como de fato os melhores do ano, ficaram de fora? Outro ponto que eu achei muito interessnte e acho que traduz exatamente aquilo que mais motiva nossa paixão por cinema é colocado assim: “…E, convenhamos, a inclusão de uma obra numa lista de filmes que você deve ver antes da sua morte pressupõe que ela tenha a capacidade de enriquecer sua vida. E filmes como esses simplesmente não surgem com muita frequência“. (Ooooooooi, come again?) Ou seja, novamente minha dúvida, um filme como “Eternal sunshine of the spotless mind” foi um dos filmes que mais me enriqueceu e emocionou de toda minha vasta lista de filmes vistos, e posso afirmar com certeza que também o foi da grande maioria que o assitiu. Então, alguém me diz, qual vida pode ser mais enriquecida por “Meet the parents” ou “There’s something about Mary?” (sim, eu detesto Ben Stiller) do que pelo filme do Gondry?

E como “Dogville”, aquela coisa genial, dolorosa, prazerosa, não só um filme indispensável para qualquer pessoa, uma experiência como poucas vezes o cinema proporcionou, ousado e original, emocionalmente devastador, único desde a narrativa até a parte técnica, ficou de fora pra ceder lugar a um filme convencional como “The departed”, ou um embuste mal-feito como “Crash”, que capaz de provocar emoção só tem mesmo a música da Kathleen York?

Ok, que a única lista perfeita, que bate 100% com nossos gostos, é aquela que nós mesmo criarmos. Mas pera lá também, né? Não vamos forçar.

PS: E que capa é aquela? Ok, todo mundo tem Indiana Jones guardado com carinho no coração. Mas Indiana Jones?

Cena da semana

Postado em Sem categoria em 04/10/2009 por Régis

Vou guardar meus comentários sobre Glee pra uma possível resenha depois que a temporada acabar. Mas preciso postar essa cena incrível, que me deixou arrepiado. Kristin Chenoweth cantando “Maybe this time”. Essa mulher é uma deusa. Que voz é essa? E Lea Michele então, mesmo que nunca mais consiga atuar na vida depois de “Glee“, já tem a carreira ganha, caso se lance no meio musical. Gente, ela bota muita cantora rodada por aí, no chinelo.

Damages – 2ª temporada

Postado em Resenha em 30/08/2009 por Régis

Damages* * * *
Damages – Segunda temporada

(Damages – Season Two)
Emissora:   FX
Criador: Glenn Kessler, Todd A. Kessler e Daniel Zelman

Damages” foi desde o lançamento uma das séries mais elogiadas e queridas da critica americana dos últimos anos. Demorei até finalmente me render a ela. Mas quando assisti a primeira temporada uns 3 meses atrás, eu fiquei em choque. Sério, não conseguia acreditar que a televisão americana, depois dos fiascos que vinham se tornando algumas séries como “Lost“, “Desperate Housewives“, etc, ainda pudesse injetar tanta qualidade, e tanta perfeição em um programa. Mesmo tendo como rival a 1° temporada de “House M.D.” (outra série que me rendi apenas este ano), a primeira de “Damages” foi de longe a melhor temporada que vi este ano, de qualquer seriado.

Eis que chega este segundo ano. Expectativas no topo, unhas esperando para serem roídas e finalmente abre a série e vejo a cara da maravilhosa Rose Byrne, encarando alguém que ainda não sabemos quem (ok, claro que sabemos, mas finja que não), apontando uma arma e disparando 2 tiros. Flashback habitual de 6 meses, e voltamos onde o primeiro ano tinha parado. Ellen volta a trabalhar com Patty, agora sob o comando do FBI, para destruir sua ex-chefe. É só o que posso contar até aqui. Mas adianto que a condução e o final desta temporada serão quase tão excelentes quanto da primeira. Quase. Porque verdade seja dita, depois do estupendo ano de estréia, “Damages” deu uma pequena caída. Mas bem pequena mesmo.

A meu ver, o problema desse ano, foi que na falta de um argumento tão absorvente e instigante como o anterior, o roteiro da série focou mais nas reviravoltas e traições dos personagens, do que no desenvolver da história em si. Se no ano passado o caso Frobisher tinha completa ligação com as ações dos personagens e seus destinos, nos parece que dessa vez o caso URN fica à parte, apenas como pano de fundo para justificar (e não interagir) com os atos de Patty, Ellen e Purcell. No caso Frobisher, cada detalhe era esmiuçado e revirado, e de algum modo viria a interferir na vida de algum personagem. Desta vez, o caso da URN se desenvolve um pouquinho no início da temporada, e por uns 6 ou 7 episódio fica quase apagado, só voltando a dar as caras, no season finale. Todo o tempo restante o roteiro fica centrado no joguinho de manipulação de Patty e Ellen, uma com a outra, e com quem as rodeia; e no desenvolver da personalidade dos personagens velhos e recem-chegados. Algo louvável, uma série que tenha acima de tudo a preocupação de desenvolver 100% os personagens, mas eu senti falta de um fio-condutor que me pegasse e não soltasse mais, como no ano anterior.

Quem não deixa nada devendo, e se possível ainda supera o ano inicial, é o elenco, que ganha alguns atores de primeira linha, pra incrementar o que já era perfeito. Glenn Close nem precisa ser mencionada. Essa mulher é uma deusa. E se alguém tem alguma dúvida que essa mulher mereça ganhar todos os prêmios da televisão americana, sugiro apenas assistir ao episódio “London, of Course”, e ter a resposta. William Hurt foi quem não me empolgou tanto quanto eu esperava, mas Marcia Gay Harden compensa por ambos.

Frobisher ao que tudo indica terá mais um ano na série, mas espero sinceramente que ele faça algo que preste, pois as aparições de Ted Danson nesta temporada soaram quase todas despropositadas. Afinal, que desculpa mais esfarrapada pra manter ele na série que aquele retiro espíritual, hein. Mas aposto na permanência dele, pois uma das grandes questões do primeiro ano, permanecem sem respota. Afinal, porque Patty detesta tanto assim Frobisher, e será que esta revelação ainda tem algum suporte, depois do vergonhoso episódio dela indo a público falar bem dele?

Faltou também, alguma ponta que ficasse solta pra servir de pontapé pro ano seguinte. Todas as peças caíram tão perfeitas em seus lugar que chegou a ser chato ver tudo tão encaixadinho, sem nada que nos instigasse a esperar o terceiro ano da melhor série atualmente no ar. Mas como disse, se “Damages” ficou um pouquinho aqüém do que esperavamos, é porque soube colocar nossas expectativas no mais alto patamar, devido a sua excelência, originalidade e inteligência. Ano que vem, tenho um encontro marcado com Patty Hewes, e algo me diz, que mesmo não sendo como já foi, ainda assim será inesquecível.

Por: Régis

Kabluey

Postado em Resenha em 10/07/2009 por Régis

Kabluey* * ½
Kabluey

(Kabluey)
Direção: Scott Prendergast
Roteiro: Scott Prendergast

Vejamos por onde começar. A verdade é que não sei bem o que pensar de “Kabluey“. Sinceramente, eu não sei se gostei ou não desse filme. Em certos momentos tendo a pensar que sim, o filme é bom. Mas em outros digo que não, que o filme realmente não sabia o que queria, e fico no meio termo novamente.

Kabluey” não tem um centro. A história se desenrola apenas pela passagem do tempo, mas não por acontecimentos que moldem ou resultem em uma situação. O filme engloba vários assuntos (a vida amorosa de Leslie, a relação de Salman com os sobrinhos endiabrados, a relação de Salman com outra loquinha de um supermercado), mas nunca para fazer algum uso deles. Apenas coloca eles na tela para abandonar posteriormente, na metade.

Os personagens são irreais. Salman é absurdamente submisso, embora alguns digam ser apenas timidez. A personagem de Lisa Kudrow (numa atuação incrivelmente madura e sem nenhum vestígio do humor habitual) na maioria do tempo é a mais arrogante das criaturas, e trata Salman como um cachorro, quando o coitado veio somente na intenção de ajudá-la. Por mais sofrida que sua personagem possa aparentar (e essa questão nunca é aprofundada) nos parece completamente irregular que ela trate Salman daquele jeito, e jamais serve como justificativa para esse seu comportamento, fazendo jus a mania irritante da grande maioria dos filmes independentes de criar uma vitrine de personagens desajustados, apenas por criar.

O próprio mascote do filme é um ser bizarro, pois por mais que o Kabluey funcione como parte cômica, ele não funciona num contexto real. Kabluey é por si só uma criatura aberrante. Nenhuma empresa colocaria alguém vestido daquela maneira a fazer propaganda, pois o efeito certamente seria o contrário do esperado. Afinal, quem é que levaria a sério um estabelecimento onde o mascote é um monstro azul e gigante, com a cabeça maior que o corpo, sem olhos ou boca? Talvez o povo marciano, é verdade. Ou seja, ninguém do filme age de forma condizente ao comportamento natural do ser humano. E até onde percebi, o filme não começou dizendo que aquela história era sobre fugitivos de um hospital psiquiátrico, ou algo assim. Mas posso estar enganado.

Por: Régis

Felicity – 1ª temporada

Postado em Resenha em 28/06/2009 por Régis

Felicity - 1st Season* * * ½
Felicity – Primeira temporada

(Felicity – Season One)
Canal: Warner (WB)
Criador: J. J. Abrams e Matt Reeves

Dear Sally, acho que já te disse isso, mas tem séries que tem seu tempo. “Felicity” por exemplo, quando começou a passar nas tardes de sábado no SBT, nunca conseguiu me pegar de jeito. Assistia pulando episódios, e apenas por falta do que fazer. E de repente, alguns 2 ou 3 anos mais tarde, ligo a tv em plena madrugada e vejo que o canal tava passando “Felicity“, já na quarta temporada, foi quando deu aquele click, sabe? Caí de amores. Toda semana, no mesmo dia, ficava acordado até as 2:00h ou 3:00h da manhã, só pra poder ver os episódios. Quando passou o “series finale”, quase chorei por saber que tinha acabado. E isso foi há uns 3 anos atrás.

Desde aquele tempo tenho essa vontade de rever os episódios da Season One que já vi, e ver as duas temporadas intermediárias que eu não tenho nem noção do que vão revelar. Pois bem, vou ser direto. Eu só acompanhei mesmo o quarto ano da série, e amei. Agora, vendo esse primeiro, parece que entendi o porque de eu não gostar de “Felicity” naquelas longínquas tardes de sábado. “Felicity” é muito boa, mas é também uma série que requer muita paciência. Primeiro porque ela estende a mesma questão por todos os 22 episódios, e quando parece que finalmente o roteiro vai dar um ultimato, o ano termina exatamente no mesmo ponto de interrogação que arrastou por toda a temporada. Ben ou Noel?

Como eu já sei com quem ela termina a série, vou dar minha opinião baseada apenas no que aconteceu neste primeiro ano. Noel. Ele é uma idiota de marca maior, como fez questão de mostrar em várias oportunidades, mas o Ben, apesar de ter sido o grande pontapé de toda a história da Felicity se mudar pra New York e tudo o mais, sempre teve uma presença meio apagada na vida dela. Pela pessoa, eu escolheria o Ben facinho, pois realmente o Noel pode até ser um cara hiper legal, mas quando tira pra ser um babaca, sai de perto. Mas no todo, é inegavél tudo que o Noel significou e ajudou na jornada da Felicity nessa nova etapa da vida dela.

Mas como nem toda história vive apenas do drama “quem fica com quem”, “Felicity” também gosta de expor variados assuntos, que sinceramente, me davam um pouco de sono. Não que eles não fossem interessantes, mas é que qualquer empecilho que surgisse na vida dos personagens, apenas servia para no fim das contas passar aquela adorada mensagem edificante, que americano simplesmente ama enfiar nos seus filmes e seriados. Chega a ficar over, tamanho o número de dramas que cada personagem tem de carregar pela temporada. E acaba que sempre descamba pro “é preciso fazer o que é certo”, que chega a dar nos nervos.

Deixa te explicar melhor, Sally. Quando o Ben tem um problema financeiro, e desesperado procura um pouco de dinheiro fácil (de forma extremamente legal, vale ressaltar), eu já antecipava a tragédia muito antes dela acontecer, pois assim é o seriado. Sempre os personagens precisam se foder, para depois se reerguer e dizer: “É, mas eu aprendi e amadureci com isso”. Como se a única forma de amadurecer nesta vida, fosse levando na cara. Como se uma vez que a pessoa simplesmente resolvesse aceitar levar a nota pelo trabalho que um amigo fez, ou se pelo uma vez preferirmos não contar ao melhor amigo, que ficamos com a namorada dele, fosse um crime, entende?

Mas dai eu te pergunto Sally, tem como não se apaixonar por um seriado, onde a protagonista toma a principal decisão da vida dela, aquela que vai mudar por completa a trajetória pré-estabelecida pra ela, baseada na paixão mal resolvida que sente por um cara? Você pode me chamar de romântico, mas qual o problema de acreditar que pessoas assim ainda existam. Analizando friamente, essa pode ser considerada uma decisão de alguém com a cabeça “cheia” de vento, mas se você não arriscar, como vai saber o que te espera, certo? Se ficasse em Palo Alto, Felicity seria mais um médica, que criaria um tropa de filhos, moraria no subúrbio e faria o jantar pro marido, esperando ele chegar em casa. Tomando a decisão que tomou, Felicity conquistou uma vida que sinceramente invejo. Cheia de altos e baixos, mas que vale a pena ser vivida, cada minuto. E eu acredito que acima de tudo, é essa a mensagem que a série quer passar.

Com amor, Régis.

*Fim da fita*

Me acabar com a minha vida?

Postado em Sem categoria em 22/06/2009 por Régis

Geralmente não posto assunto “off-topic” aqui, mas este vídeo é bom demais pra deixar de fora.

Você quer me acabar comigo? É isso? É essa filmagem que você quer, vagabunda? Pois então você vai ter…“  Me racho.

O informante

Postado em Resenha em 14/06/2009 por Régis

The Insider* * * * ½
O informante

(The insider)
Direção: Michael Mann
Roteiro: Eric Roth e Michael Mann

É tudo que o cinema americano deveria ser. “The insider” é vibrante, sua tensão é palpável, é cruel. Se o filme já começa de forma extraodinária, a última hora transcende para um novo nível. É sangue puro. Os diálogos são cortantes. Pacino é um espetáculo. Não ter sido indicado ao Oscar é um insulto. Russel Crowe arrasa, diferente da impassibilidade digna de pena que viria a demonstrar no intragável “Gladiator“.

Minhas expectativas para com “The insider” não eram das maiores. Primeiro, o filme veio carregado de indicações ao Oscar, o que como vem mostrando os campeões dos últimos anos (excetue ai “The lord of the rings: The return of the king“), é um atestado de filme-morno-e-ou-chato-de-um-cineasta-badalado, como “Crashs” e “The departeds” da vida. Mas tudo bem, afinal “The insider” não ganhou o Oscar de filme do ano. Ganhou merecidamente “American beauty“, comparável na sua proposta corrosiva, mesmo que em menor escala. Mas “The insider” em menos de 10 minutos tratou de minar qualquer resistência que eu tivesse contra ele.

O filme de Mann, cineasta que definitivamente é um dos melhores em ação da atualidade, é um soco direto na boca do estômago, e o melhor, não tem como se defender. Dói, mas compensa. E como compensa. “The insider” foi uma das melhores experiências que tive esse ano.

Eric Roth que já escreveu alguns dos mais aborrecidos roteiros do cinema (“The horse whisperer“, “The good sheperd“), arregaçou as mangas e junto de Mann criou um texto contundente, e surpreendente. Ouso afirmar que nunca ele conseguirá repetir o feito em intesidade dramatica e brilhantismo nos diálogos. Intensidade que associada à não menos brilhante trilha sonora e a uma edição esmagadora, terminam por destroçar qualquer coisa que ouse aparecer na frente. “The insider” é um exemplar de tudo que o cinema deve ser: cinema puro e reflexivo.

Por: Régis

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Postado em Resenha em 09/05/2009 por Régis

Harry Potter and the Order of the Phoenix* * * ½
Harry Potter e a Ordem da Fênix

(Harry Potter and the Order of the Phoenix)
Direção: David Yates
Roteiro: Michael Goldenberg

Lá vou eu. Grandes, não, enormes expectativas para esse quinto episódio da saga de Harry Potter. Chegamos lá (minha amiga e eu) e sentamos na sexta fila. Na tela um show da Shania, pra passar o tempo. Falamos algumas bobagens, e depois dos trailers, eis que finalmente surge o logo da Warner, com a inconfundível trilha da série. Começa, Duda provoca Harry, tudo escurece e eu penso: esse Yates já marcou um ponto logo de entrada. Harry e Duda perseguidos por uma camera frenética, que não lembra nada parecido nos filmes anteriores. Fico arrepiado (talvez por causa do frio que fazia dentro do cinema, sei lá). O resto do filme transcorre muito bem. Termina, e apesar de ter achado ótimo, fica em mim um certo desapontamento.

É isso mesmo. O filme é ótimo, sem dúvida, mas quando aparece o nome de Yates, fica a sensação de se ter assistido algo mal acabado. Diferente do filme anterior, a história desse aqui passa a impressão de que foi escrita meio às pressas, deixando uma inequívoca interrogação no ar. Apesar de ser fiel ao livro, vários momentos parecem que estão deslocados do resto, pois não há ligação entre eles. E acredito que isso se deva a mania insuportável de diminuir o tempo em cada lançamento. Embora todos os livros viessem sendo acrescidos de mais páginas em cada novo volume, os filmes seguem exatamente o caminho oposto. Por isso, temos de nos contentar com um filme de apenas 2 horas e 15 minutos, para cobrir uma história de mais de 800 páginas (na edição original). É bem verdade que muito do que está escrito no volume de Rowling é pura encheção de lingüiça, mas mesmo essas partes revelavam nuances de cada personagem. Algumas longas passagens serviam exatamente para isso. E é ai que o roteiro erra. Estabelecer corretamente a personalidade e as subtramas de cada um, parece que não foi a prioridade de Goldenberg. Veja por exemplo o caso de Harry (Daniel Radcliffe) e Cho (Katie Leung). Durante o filme, não existe nada que mostre que Harry está apaixonado pela garota. As míseras cenas em que se encontram, servem apenas como pretexto para filmar o tão famoso e totalmente dispensável beijo. Do mesmo modo, a personagem de Luna (Evanna Lynch) em nada lembra a esquisita Luna do livro. No filme ela passa apenas como mais uma estudante, no meio de tantos outros. A cena em que fala que as pessoas sempre pegam suas coisas e as escondem, no livro, servia para demonstrar como Luna era zoada pelos colegas e o quanto a menina era uma “outsider” em Hogwarts. Mas no filme, fica a impressão de que aquilo é simplesmente uma brincadeira inofensiva dos outros. Ainda sobre a falta de coerência de algumas cenas, Snape (Alan Rickman) novamente é desperdiçado pelo roteiro. Sua participação fica restrita a menos de cinco minutos, e a seqüência que deveria finalmente mostrar ao insuportável Harry que seu pai não é o santo que ele pensa, não tem o impacto que deveria. Aliás, não tem impacto algum. Para quem não leu o livro, a cena passará batido.

Mas o filme também tem acertos. Ah, isso sem dúvida. Muitos, aliás. A começar pela direção de Yates, como já disse. Movimentos de camera excelentes (a que atravessa dois exemplares do “Profeta Diário”, fazendo um giro sobre Umbridge (Imelda Stauton) por exemplo, está estupenda). Efeitos de babar, uma fotografia espetacularmente sombria (que já virou obrigação na série) e a trilha que transcorre perfeita. Além é claro, do elenco divino. Maggie Smith mais uma vez tira leite de pedra, dando personalidade a uma personagem que aparece em meia dúzia de cenas, com menos de meia página de diálogos. Michael Gambon e sua aura de poder, que acerca Dumbledore. É Gambon aparecer que o público nem respira, tal qual os alunos de Hogwarts. E é claro, temos as três novas “aquisições” da franquia. Imelda Stauton, Helena Bonham Carter e Evanna Lynch, respectivamente como Umbridge, Bellatrix e Luna. Todas dão um show. Imelda rouba as cenas em que aparece, e Evanna já ganha nossa simpátia desde o momento que mostra as fuças. Ralph Fiennes também encarna Voldemort de forma bem menos caricata do que em “Harry Potter and the Goblet of Fire“, que só pra saberem, ainda é meu filme favorito da série.

E quero dedicar um espaço especialmente para o trio de protagonistas, que dessa vez, merecem os elogios. Já não era sem tempo de Radcliffe, Grint e Watson começar a atuar, em vez de apenas aparecerem em cena. A maior diferença se encontra em Emma. Se nos filmes anteriores tudo que ela sabia fazer eram caras e bocas em um exagero absurdo, nesse novo filme ela prefere um tom mais contido, deixando Hermione em segundo plano, só vindo a tona quando requisitada. Radcliffe resolveu mexer um pouco os músculos do rosto, e assumir seu lugar como protagonista da série, se dispondo a carregar o peso que isso acarreta. E Grint, que sempre foi o mais equilibrado dos três, embora de longe o mais sem sal, aqui prefere mostrar que não é apenas a sombra de Harry, mas sim um personagem importante, tomando seu lugar entre o trio.

Para finalizar, devo reafirmar que o filme é sim ótimo. Mas ficou longe, para mim, do show que foi o anterior. Mas de qualquer modo, ele tem tudo o que é preciso para agradar novamente os fãs da série (nos quais eu me incluo).

PS: Percebo que esqueci de comentar aquele que muitos esperavam que fosse o clímax emocional de “The Order of the Phoenix“. Segundo muitos críticos, a cena da morte de Sirius não teve o impacto esperado. Mas a verdade é que ela não poderia ter sido filmada de outra maneira, já que a relação de ambos nunca teve profundidade suficiente. Quando conhece seu padrinho no terceiro ano, Harry convive com ele por apenas algumas horas. No quarto ano, eles não se encontram em momento algum (me refiro fisicamente, excetuando ai a cena da lareira), e finalmente nesse quinto ano, os dois só se vêem uma ou duas vezes. Logo, caso apelasse demais, a cena acabaria parecendo piegas. Particularmente eu achei que não poderia ter ficado melhor. Contida, mas transmitindo a dor de Harry, sem exageros. Yates novamente acertou.

Por: Régis