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Zombieland
(Zombieland)
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick
Comparações com “Shaun of the dead” são inevitáveis. Mas confesso que achei “Zombieland” melhor. Apesar do filme de Simon Pegg ser mais engraçado e com piadas mais sutis, seu parceiro americano não deixa nada a desejar com ótimas e agéis tiradas. Mas o grande diferencial deste para com o outro filme é que em “Zombieland” a história tem sentimentos. É um filme pipoca mesmo, mas é também um filme que a seu modo meio distorcido e pervertido busca preservar ou resgatar alguns dos mais primordiais elementos do ser humano, como amizade, o valor da família (ou uma versão dela), e o famoso “um lugar que se possa chamar de lar”, mesmo que seja um Hummer amarelo.
Se tratando de um produto made in USA “Zombieland” é grandiloqüente, e isso torna tudo mais gostoso. A seqüência final do parque de diversões é ótima, e os efeitos são trabalhados de forma divertida e criativa. Pegue a matança arquitetada por Tallahassee na montanha-russa por exemplo, e me diga se aquilo não é genial? O nível de divertimento de “Zombieland” é enorme, mais ainda se comparado com as comédias cada vez mais rasas que saem dos EUA todos os anos. Enquanto os filmes do Adam Sandler e irmãos Wayans enchem a tela com todo tipo de piadas de mau gosto imagináveis, é refrescante ver gente comprometida a fazer humor de fácil digestão, sem apelar. Elogio também o roteiro por seus diálogos. Citações de filmes antigos vem as pencas, logo qualquer cinéfilo pode gozar a vontade ao conseguir decifrá-las. “Fasten your seatbelts, it’s going to be a bumpy night!”
Outro ponto que destaco no roteiro, e que também se encontra em extinção no cinema comercial de humor norte-americano, (vamos ser sinceros, nem só nos norte-americanos) é a elaboração dos personagens. Ontem mesmo vi “Watchmen” e fiquei espantado, pois pensei que roteiros tão absorvidos na função de desenvolver seus personagens nem existisse mais nos blockbusters (claro, existem excessões. “The dark knight”, algu). E o fato de ficar espantado com “Watchmen” não é um bom sinal. Afinal, não deveria ser a prioridade dos roteiros explorar os personagens, para posteriormente a ação? Bom, mas o importante é que com “Zombieland” isso acontece. E o mais admirável, os personagens nem são assim tão interessantes ou cheios de camadas. Pelo contrário, soam até propositalmente estereotipados. Apenas são bem escritos, e isso faz toda a diferença. Suas características, mesmo que meio rasas, não soam forçadas. O roteiro entrega personagens simples, humanos, bem elaborados e convincentes, isso tudo por (surpresa) ter sido escrito com dedicação.
“Zombieland” é em suma um filme divertido que não ofende a nossa inteligência, e tampouco demanda muito dela. Não tem pretensões além de entreter, e quem sabe com um pouco de sorte, passar uma mensagem. Bem estruturado, bem escrito e alçado em um bom elenco, fica a dica daquele que espero seja o sucesso deste verão (já que só estréia por aqui em Dezembro). Sem contar na participação deliciosa do Bill Murray, interpretando Bill Fucking Murray.
Por: Régis
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